Depoimento desta quinta foi pedido da defesa do ex-governador, que pretende colaborar com as investigações da operação Unfairplay, um dos desdobramentos da Lava Jato no estado.

O ex-governador Sérgio Cabral afirmou que comprou votos para trazer a Olimpíada ao Rio. Em depoimento nesta quinta-feira (4) ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, Cabral disse que o ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, indicou o presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), Lamine Diack, como intermediário do esquema.

O interrogatório, que começou por volta das 14h30, foi um pedido da defesa do ex-governador, que pretende colaborar com as investigações da operação Unfairplay.

“Eu não sabia qual seria a repercussão de um núcleo europeizado muito forte [na votação]. Nessa natureza, o Nuzman vira pra mim e me fala: ‘Sérgio, quero te abrir que o presidente da IAAF, lamine Diack, ele é uma pessoa que se abre pra vantagens indevidas”, contou Cabral no depoimento.

Segundo ele, um ex-diretor de operações do Rio 2016 fez contato com Diack e com o filho dele. O grupo teria feito ao ex-governador do Rio de Janeiro a seguinte proposta: em troca de US$ 1,5 milhão, conseguiria de 5 a 6 votos na votação para trazer a Olimpíada ao Rio.

No interrogatório, Cabral disse ter perguntado a Nuzman de onde viriam os votos e qual a garantia de que seriam de fato obtidos. Nuzman teria respondido que viriam de membros africanos do comitê e também de representantes do atletismo.

G1 entrou em contato com a defesa de Nuzman, que afirmou que se pronunciaria quando a audiência terminar.

As acusações

No processo, Cabral é acusado pelo Ministério Público Federal de envolvimento em um suposto esquema de compra de votos no Comitê Olímpico Internacional (COI). Os investigadores querem saber se houve fraude na escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016.

Cabral, Arthur Soares Filho (o Rei Arthur) e ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) Carlos Arthur Nuzman, foram denunciados por corrupção devido à suspeita de compra de votos.

Também são réus no processo o ex-diretor do COB Leonardo Gryner, o ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) Lamine Diack e seu filho Papa Massata Diack. Como os dois últimos são estrangeiros, Bretas determinou que o processo fosse desmembrado para que ambos sejam investigados no país em que residem.

De acordo com a denúncia do MPF, Cabral, Nuzman e Gryner solicitaram diretamente a Arthur o pagamento de US$ 2 milhões para Papa Diack, para garantir votos para o Rio de Janeiro na eleição da cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016, o que configura corrupção passiva. As defesas negam.

Nova estratégia de Cabral

Em uma nova estratégia da defesa, o ex-governador tem revelado mais detalhes nos casos em que confessou participação. Vários novos depoimentos estão sendo marcados.

Na última segunda-feira (1), Sérgio Cabral disse a Bretas que o empresário Arthur Soares, conhecido como Rei Arthur, atuava junto aos políticos do Estado. Segundo Cabral, o empresário fraudava licitações, organizava os prestadores de serviços durante seu governo e ainda fazia doações, através de caixa 2, para parceiros políticos do ex-governador.

Cabral está preso desde novembro de 2016 e acumula quase 200 anos de detenção — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo/Arquivo
Cabral está preso desde novembro de 2016 e acumula quase 200 anos de detenção — Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo/Arquivo

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